Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro começaram a avaliar os contratos após a Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nessa sexta-feira (25). Segundo apuração do SBT News, Betano, Sportingbet e Superbet notificaram equipes sobre possíveis mudanças nos acordos.
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A MP nº 1.394/2026 proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa no Brasil. A medida também alcança apostas esportivas e jogos on-line. Além disso, a norma determina a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio em até dez dias após a publicação.
Entre os clubes citados nas notificações estão São Paulo, patrocinado pela Superbet; Flamengo, pela Betano; Palmeiras e Vasco, pela Sportingbet; e Fluminense, também patrocinado pela Superbet. Até o momento, entretanto, não há confirmação de rompimento oficial desses contratos.
Bets notificam clubes e reavaliam patrocínio
De acordo com o SBT News, os clubes receberam comunicações sobre possíveis suspensões, renegociações ou encerramentos de contratos. No entanto, cada acordo possui cláusulas específicas, o que pode influenciar os próximos passos das empresas e das equipes.
O São Paulo informou à reportagem que não tinha conhecimento do assunto e que não se pronunciaria naquele momento. Já o Palmeiras afirmou que os contratos de patrocínio são sigilosos. Flamengo, Vasco e Fluminense foram procurados, mas não haviam respondido até a publicação da reportagem.
Além disso, a MP estabeleceu um período de transição para o encerramento das operações. Os apostadores podem retirar voluntariamente os valores disponíveis até 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar no país.
Patrocínios movimentam mais de R$ 1 bilhão
O impacto da medida também alcança o futebol profissional porque as empresas do setor ganharam espaço entre os principais patrocinadores dos clubes brasileiros nos últimos anos.
Segundo estudo da LCA Consulting citado pelo SBT News, 14 dos 20 clubes da Série A possuem empresas de apostas como patrocinadoras. O levantamento aponta ainda que os contratos somam mais de R$ 1,1 bilhão nesta temporada.
O estudo mostra que os valores cresceram de forma expressiva desde 2018. Naquele ano, os patrocínios ligados ao setor somavam aproximadamente R$ 295 milhões. Agora, o montante ultrapassa R$ 1,1 bilhão, segundo os dados apresentados pela consultoria.
Entre os maiores contratos estimados estão o do Flamengo com a Betano, de R$ 268,5 milhões anuais, e o do Corinthians com a Esportes da Sorte, de R$ 150 milhões, podendo alcançar R$ 200 milhões com bônus e metas. Palmeiras e São Paulo também aparecem entre os acordos de maior valor.
Clubes podem enfrentar impacto financeiro
A consequência para cada clube dependerá das cláusulas previstas nos contratos. Segundo Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias e sócio do escritório Betlaw, uma alteração regulatória que interrompa a atividade das empresas pode afetar acordos firmados anteriormente.
Nesse cenário, os clubes e as empresas poderão discutir obrigações, pagamentos e eventuais compensações. No entanto, a aplicação das cláusulas dependerá das características de cada contrato e da interpretação jurídica adotada pelas partes.
O governo também avalia medidas para reduzir os efeitos financeiros sobre as equipes. Entre as alternativas discutidas estão uma linha de crédito com juros mais baixos e a possibilidade de renegociar ou ampliar prazos de dívidas dos clubes com a União e bancos públicos. O BNDES poderá participar das discussões.
























































