A decisão de transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Hasan, ex-major do Exército dos Estados Unidos condenado por matar 13 pessoas em uma base militar no Texas, pode enfraquecer a credibilidade internacional do país na defesa dos direitos humanos. A avaliação é do professor Alexandre Coelho, coordenador do curso de pós-graduação em política e relações internacionais da escola de sociologia e política de São Paulo, em entrevista ao SBT News.
Para o especialista, não há comprovação científica de que execuções públicas sejam capazes de reduzir a criminalidade ou impedir novos ataques terroristas. “Não existem estudos robustos, não tem nenhuma comprovação”, afirmou. Segundo ele, nem mesmo a eficácia da pena de morte como instrumento de prevenção de crimes é conclusiva.
Coelho explicou que as execuções deixaram de ser realizadas publicamente nos Estados Unidos após o último caso registrado em 1936. Na avaliação dele, a exposição pode produzir um efeito diferente do pretendido pelas autoridades. “Ao invés de diminuir o crime ou inibir o crime, pelo contrário, acaba arrastando multidões, mas não pelo efeito do medo, mas pelo efeito da própria diversão em si”, disse.
O professor também alertou para as consequências diplomáticas da iniciativa. Segundo ele, a transmissão pode dar argumentos a governos de países frequentemente criticados por violações de direitos humanos, como Irã, Afeganistão e Coreia do Norte.
Efeito político e eleições nos EUA
A decisão também ocorre em meio à preparação para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Para Coelho, a proposta pode reforçar o apoio de parte da base eleitoral de Donald Trump, especialmente entre os integrantes do movimento MAGA, mas não deve necessariamente conquistar eleitores independentes.
Retorno de práticas do passado
Questionado sobre o motivo de as sociedades modernas terem afastado as execuções do espaço público, o especialista explicou que a fiscalização do Estado não depende da exposição da morte de condenados diante de multidões. “Você pode ter testemunhas autorizadas, autoridades autorizadas aqui, autoridades que possam de fato acompanhar a execução”, disse.
Coelho ressaltou que a crítica não se concentra na condenação de Hasan, mas na possibilidade de transformar a execução em um evento público. “O que a gente está criticando é justamente essa volta”, afirmou.
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