O vereador Senival Moura (PT-SP) pediu afastamento do Partido dos Trabalhadores após ser preso durante a Operação Última Parada, deflagrada na quinta-feira (26). A legenda confirmou o pedido nesse sábado (27), informando que o parlamentar decidiu se desligar temporariamente para concentrar esforços em sua defesa e evitar que as investigações sejam associadas ao partido.
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Segundo nota divulgada pelo Diretório Municipal do PT em São Paulo, o vereador justificou que pretende acompanhar o processo judicial sem envolver a sigla nas acusações. Enquanto isso, as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil seguem em andamento.
Senival Moura é investigado por suposta ligação com esquema
De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, Senival Moura é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que beneficiaria integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Conforme a investigação, a empresa de transporte coletivo Transunião teria sido utilizada para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita.
Além do vereador, também foram presos o presidente da concessionária, Air Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Devanil de Souza Nascimento, apelidado de “Sapo”, apontado pelos investigadores como motorista e braço direito do parlamentar.
Ainda segundo os órgãos responsáveis pela investigação, existiria um núcleo paralelo que tomava decisões dentro da empresa e realizava movimentações financeiras destinadas à organização criminosa.
Empresa teve aumento patrimonial sob investigação
As apurações indicam que o capital social da Transunião passou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões. Segundo o MPSP, esse crescimento é incompatível com a capacidade financeira declarada pela empresa, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos.
A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos e embarcações ligados aos investigados. O limite de indisponibilidade estabelecido é de R$ 194.457.851,90 por conta. Como esse teto foi aplicado individualmente, o valor potencial dos bloqueios pode alcançar cerca de R$ 30 bilhões, embora esse montante represente apenas um limite teórico.
A decisão também determinou o bloqueio de 117 veículos, o sequestro de 21 imóveis, três embarcações e a suspensão das atividades de dezenas de empresas apontadas como integrantes do suposto esquema de lavagem de dinheiro.
Prefeitura mantém operação dos ônibus
Enquanto isso, a Prefeitura de São Paulo informou que a operação dos ônibus da Transunião segue normalmente, sem prejuízo ao atendimento da população. A administração municipal afirmou que aguarda a notificação oficial da decisão judicial para definir as medidas administrativas cabíveis.
O prefeito Ricardo Nunes declarou que acompanha os desdobramentos da operação. Segundo ele, a gestão municipal adotará providências assim que receber oficialmente a decisão da Justiça.
A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. Conforme o Ministério Público e a Polícia Civil, as apurações identificaram possíveis conexões com as operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, que investigam esquemas envolvendo o PCC e organizações criminosas internacionais.




















































