O Brasil chegará à reunião com os Estados Unidos na próxima segunda-feira (31) sem apresentar uma oferta inicial. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (27) que o governo pretende primeiro definir o formato das negociações.
Segundo Elias Rosa, o Brasil não levará uma lista de concessões para a primeira conversa. Em vez disso, a equipe brasileira quer estabelecer um caminho para discutir as tarifas e possíveis exceções.
Apesar das dificuldades, o ministro afirmou estar “animadíssimo” com a retomada do diálogo. Ele, no entanto, reconheceu que as negociações com o governo de Donald Trump serão difíceis.
Brasil e EUA retomam diálogo
A reunião ocorrerá de forma virtual na segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. Elias Rosa conversará com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.
O encontro marca a retomada das negociações técnicas entre os dois governos. Além disso, a reunião surgiu depois de uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Os dois presidentes conversaram por cerca de 1h20 na sexta-feira (21). Na ocasião, Lula defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as tarifas prejudicam os dois países.
Trump concordou com a continuidade do diálogo. Depois disso, Greer procurou Elias Rosa para acertar a reunião.
Governo quer ampliar exceções
O principal objetivo do Brasil nesta primeira etapa é ampliar a lista de produtos que os Estados Unidos deixaram fora das sobretaxas.
Por isso, o governo brasileiro não pretende começar a conversa com uma proposta de concessão. A ideia é entender quais caminhos Washington aceita discutir antes de avançar para setores específicos.
Além disso, o Brasil pretende negociar, posteriormente, a reversão das tarifas impostas pelo governo Trump. Essa discussão, entretanto, deve ocorrer em uma segunda etapa.
Tarifas chegam a 37,5%
Os Estados Unidos aplicaram sobretaxas adicionais sobre produtos brasileiros.
Uma das medidas acrescentou 25% a determinadas mercadorias. Depois, outra cobrança de 12,5% atingiu parte das exportações brasileiras. Em alguns casos, portanto, as tarifas adicionais chegam a 37,5%.
Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, as medidas afetam bilhões de dólares em exportações para o mercado norte-americano.
Além disso, Washington apresentou diferentes justificativas para as tarifas. Entre os argumentos aparecem questões relacionadas a desmatamento, propriedade intelectual, Pix, etanol, corrupção e trabalho forçado.
Brasil não espera acordo imediato
Apesar da retomada das conversas, o governo brasileiro não espera uma solução rápida para o conflito comercial.
O próprio Elias Rosa reconheceu a dificuldade das negociações. Ainda assim, o ministro considera importante reabrir o canal direto com Washington.
Nesse sentido, a reunião de segunda-feira terá caráter principalmente técnico. O objetivo será estabelecer as bases para as próximas conversas.
Portanto, o encontro não deve resultar necessariamente em um acordo sobre as tarifas já na primeira rodada.
Lula e Trump reabriram negociação
A retomada do diálogo ocorreu depois da conversa entre Lula e Trump.
Durante o telefonema, o presidente brasileiro defendeu uma solução negociada para as barreiras comerciais. Lula também argumentou que as tarifas prejudicam empresas e consumidores dos dois países.
Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de manter o diálogo. Assim, os governos voltaram a trabalhar na construção de uma agenda técnica.
Agora, Elias Rosa e Greer terão a missão de transformar essa decisão política em uma negociação comercial.
O que o Brasil busca
Na primeira fase, o governo brasileiro quer ampliar o número de produtos excluídos das tarifas americanas.
Depois, a equipe brasileira pretende discutir a redução ou a reversão das sobretaxas. Para isso, o governo terá de negociar com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Além disso, o Brasil já acionou o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as tarifas americanas. Os Estados Unidos aceitaram participar das consultas.
Negociação ocorre em cenário de tensão
A reunião acontece em um momento de tensão nas relações comerciais entre Brasília e Washington.
De um lado, o governo brasileiro busca preservar o acesso das empresas nacionais ao mercado norte-americano. De outro, a administração Trump mantém as sobretaxas e apresenta diferentes argumentos para justificar as medidas.
Por isso, a primeira conversa entre Elias Rosa e Greer terá importância para definir os próximos passos.
Enquanto isso, o governo brasileiro evita antecipar concessões. A estratégia é iniciar o diálogo, identificar possibilidades de acordo e, somente depois, avançar para discussões mais específicas.




















































