Com a aproximação das Eleições 2026, as pesquisas eleitorais voltam a ocupar espaço no debate público. Afinal, levantamentos de intenção de voto aparecem com frequência durante a campanha, mas nem sempre o público conhece os métodos utilizados para chegar aos resultados.
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No entanto, uma pesquisa não precisa ouvir todos os eleitores para identificar tendências de opinião. O trabalho utiliza uma amostra estatística, construída para representar o universo pesquisado. Além disso, os institutos adotam critérios técnicos para selecionar os entrevistados e calcular os resultados.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os levantamentos destinados à divulgação pública precisam ser registrados no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais, o PesqEle. O cadastro deve ocorrer até cinco dias antes da divulgação e reúne informações como metodologia, período da coleta, plano amostral, ponderação, margem de erro e nível de confiança.
Pesquisas eleitorais usam amostras do eleitorado
O primeiro passo consiste em definir o público que a pesquisa pretende representar. Depois, o instituto seleciona uma amostra com características semelhantes às do universo estudado.
Para isso, podem entrar na composição critérios como sexo, idade, escolaridade, nível econômico e distribuição geográfica. Dessa forma, a amostra procura reproduzir características relevantes da população pesquisada.
O tamanho da amostra, por outro lado, não precisa acompanhar proporcionalmente o número total de eleitores. Isso acontece porque a precisão estatística depende principalmente do tamanho e da qualidade da amostra, além da metodologia utilizada.
Por exemplo, uma pesquisa nacional pode entrevistar alguns milhares de pessoas para representar um universo muito maior. Entretanto, a seleção precisa seguir critérios estatísticos capazes de reduzir distorções na composição do grupo entrevistado.
O que é ponderação?
A ponderação ocorre depois da coleta dos dados. O procedimento ajusta o peso das respostas para aproximar a composição da amostra das características da população pesquisada.
Se determinado grupo aparece acima da proporção esperada, por exemplo, suas respostas podem receber peso menor. Da mesma forma, um grupo sub-representado pode receber peso maior.
Assim, a ponderação pode alterar os percentuais finais em relação à simples contagem das entrevistas. Por isso, quem compara levantamentos deve observar não apenas os números divulgados, mas também a metodologia registrada no PesqEle.
O TSE determina que o registro informe o plano amostral e a ponderação utilizados, além de outras informações metodológicas.
Margem de erro e nível de confiança
A margem de erro indica uma faixa de variação em torno do resultado encontrado na amostra. Por exemplo, se um candidato registra 24% e a pesquisa apresenta margem de erro de três pontos percentuais, o intervalo correspondente vai de 21% a 27%.
Já o nível de confiança indica a probabilidade associada ao intervalo estatístico utilizado. Em muitos levantamentos, os institutos trabalham com nível de confiança de 95%.
Além disso, dois levantamentos realizados em períodos próximos podem apresentar resultados diferentes. Isso ocorre porque os institutos podem utilizar amostras, períodos de coleta, formas de abordagem e critérios de ponderação distintos.
Pesquisa não é previsão do resultado
Outro ponto importante é diferenciar pesquisa de previsão eleitoral. Um levantamento registra a opinião dos entrevistados no período em que os dados foram coletados. Portanto, ele não determina o resultado das urnas.
Entre a coleta e a votação, os eleitores podem mudar de opinião. Além disso, acontecimentos políticos e fatos novos podem modificar o cenário eleitoral.
O próprio TSE destaca que a Justiça Eleitoral não realiza controle prévio sobre os resultados das pesquisas. O tribunal registra e disponibiliza as informações declaradas pelos institutos, mas não aprova previamente os números apresentados ao público.
Como consultar uma pesquisa
Para avaliar um levantamento, o eleitor pode consultar o registro no PesqEle. É importante verificar a data da coleta, o número de entrevistas, o público pesquisado, a metodologia, a margem de erro, o nível de confiança e o número de registro.
Além disso, o TSE determina que essas informações sejam apresentadas na divulgação dos resultados.
Em setembro de 2026, o tribunal também atualizou o PesqEle para apresentar de forma mais detalhada e padronizada informações metodológicas dos levantamentos. A mudança busca facilitar a consulta aos dados por parte da sociedade.
























































