A proposta de extinção da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas podem gerar um impacto anual de R$ 3 bilhões para empresas do Rio Grande do Norte. A estimativa é do Instituto Fecomércio RN (IFC) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Além disso, o levantamento aponta que a medida pode provocar a redução de até 7,8 mil empregos formais no estado no curto e médio prazo. Segundo o estudo, os setores de comércio e serviços devem ser os mais afetados, já que concentram grande parte das vagas de trabalho no RN.
Ao mesmo tempo, a pesquisa projeta aumento de preços de até 13%, o que pode impactar diretamente o custo de vida da população.
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Pesquisa avaliou opinião de trabalhadores
Para analisar a percepção da população, o Instituto Fecomércio RN ouviu 1.305 trabalhadores formais em municípios potiguares. De acordo com os dados, mais de 89% dos entrevistados afirmaram já ter ouvido falar da proposta.
No entanto, apenas 8,7% disseram compreender de forma efetiva as consequências práticas da mudança. Ainda segundo o levantamento, 91,3% dos trabalhadores favoráveis à proposta afirmaram possuir conhecimento médio ou baixo sobre os possíveis impactos econômicos.
Além disso, a pesquisa identificou preocupação dos entrevistados com possíveis reflexos da medida no mercado de trabalho.
Trabalhadores apontam riscos da proposta
Entre os principais efeitos citados pelos participantes da pesquisa estão:
- aumento da rotatividade de mão de obra, mencionado por 71,1%;
- crescimento da informalidade, apontado por 65%;
- acúmulo de funções, citado por 63,5%;
- redução de empregos formais, indicada por 60,2%.
Por outro lado, o levantamento também mostrou mudança no índice de apoio à proposta após a apresentação dos possíveis impactos econômicos. Inicialmente, 75% dos entrevistados disseram apoiar o fim da escala 6×1. Entretanto, após receberem informações sobre consequências como aumento de custos e desemprego, o percentual caiu para 55,6%.
Entre os motivos apontados para a mudança de opinião estão a possibilidade de redução salarial, citada por 44,8%, e o aumento do desemprego, mencionado por 37,8%.
Fecomércio defende debate com negociação coletiva
Segundo o estudo, trabalhadores de menor renda, que aparecem entre os que mais apoiam a proposta inicialmente, também podem ser os mais vulneráveis em um cenário de aumento de custos trabalhistas.
Enquanto isso, em nível nacional, a CNC estima que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 podem gerar custo adicional de R$ 357,4 bilhões por ano para os setores de comércio e serviços. Além disso, a entidade projeta a possível eliminação de até 631 mil empregos formais em todo o país.
O presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, afirmou que o debate deve considerar os impactos econômicos e as diferenças entre os segmentos do setor.
Segundo ele, atividades ligadas ao comércio, serviços e turismo possuem características distintas e sazonalidade, principalmente em áreas ligadas ao turismo e hospitalidade. Dessa forma, Marcelo Queiroz defendeu que eventuais mudanças sejam discutidas por meio de negociação coletiva, respeitando as especificidades regionais e econômicas de cada atividade.






















































