A Guerra no Oriente Médio está ampliando os riscos de fome em diversas regiões do mundo e pode empurrar milhões de pessoas para a insegurança alimentar. O alerta foi feito pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), que destacou os impactos do conflito sobre os preços dos alimentos, os custos de transporte e as cadeias globais de suprimentos.
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O aumento dos custos de combustível e logística elevou significativamente os preços de produtos essenciais. Além disso, a redução dos recursos destinados à ajuda humanitária tem dificultado o atendimento às populações mais vulneráveis.
Segundo o PMA, a combinação desses fatores está agravando uma situação já delicada em diversos países que dependem da importação de alimentos e energia. Como resultado, milhões de famílias enfrentam dificuldades cada vez maiores para garantir a própria alimentação.
Guerra no Oriente Médio afeta abastecimento mundial
O conflito regional ganhou força após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em fevereiro. Desde então, os confrontos se expandiram para áreas estratégicas do Golfo Pérsico e do Líbano.
Importantes rotas marítimas foram afetadas, incluindo o Estreito de Ormuz, uma das principais vias para o transporte global de petróleo. Dessa forma, embarcações precisaram alterar trajetos, provocando atrasos e aumento dos custos logísticos.
Conforme o PMA, a alta sustentada do petróleo acima de US$ 100 por barril contribui diretamente para o encarecimento dos alimentos. Anteriormente, a agência havia alertado que até 45 milhões de pessoas poderiam entrar em situação de insegurança alimentar aguda caso os preços permanecessem nesse patamar.
Agora, segundo o organismo internacional, esse cenário está efetivamente se concretizando em várias regiões do planeta.
Países vulneráveis enfrentam risco crescente
As populações do Afeganistão, da Somália e do Sri Lanka estão entre as mais afetadas pelos impactos econômicos do conflito. Nessas nações, o aumento dos preços dos alimentos e do combustível tem reduzido o poder de compra das famílias.
Na Somália, por exemplo, a previsão indica que 6,5 milhões de pessoas poderão enfrentar fome severa em 2026. Enquanto isso, no Afeganistão, o número de afetados pode chegar a 17,4 milhões.
A situação pode se tornar ainda mais grave caso as interrupções comerciais persistam. O PMA estima que outros 2,5 milhões de somalis e 2,3 milhões de afegãos poderão ingressar em situação de insegurança alimentar.
Ambos os países dependem fortemente da importação de alimentos e energia, o que aumenta a vulnerabilidade diante das oscilações do mercado internacional.
A crise ocorre em meio a uma redução significativa do financiamento destinado às operações humanitárias. Segundo o PMA, a escassez de recursos poderá limitar a assistência prestada em diferentes países.
Em consequência disso, a agência prevê atender 1,5 milhão de pessoas a menos em 2026. Caso a crise se prolongue por mais seis meses, esse número poderá alcançar 9 milhões de pessoas.
Na Somália, a situação é especialmente preocupante. Os estoques de alimentos nutritivos destinados a crianças menores de cinco anos com desnutrição moderada devem acabar já em julho. Além disso, o PMA enfrenta um déficit de financiamento de 89% no país.






















































