O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou nesta sexta-feira (26) que o governo brasileiro manterá a defesa do Pix durante a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos. Segundo ele, o sistema de pagamentos instantâneos representa uma estrutura essencial para a economia brasileira e não prejudica empresas estrangeiras.
“O Pix é um arranjo de pagamento fundamental para a nossa economia. Isso não tem relação com qualquer regra desfavorável a empresas de outros países. Portanto, seguiremos no diálogo para afastar essas acusações”, declarou o ministro em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC.
A declaração ocorre enquanto o governo norte-americano avalia a adoção de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Governo rejeita críticas ao Pix
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) conduz uma investigação sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil. O órgão questiona políticas relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol, tarifas preferenciais e meio ambiente.
No caso do Pix, o governo dos Estados Unidos avalia que o sistema favoreceria indevidamente uma plataforma criada e operada pelo Banco Central. No entanto, Bruno Moretti rejeitou essa interpretação.
Segundo o ministro, o Brasil conduz sua política econômica de forma soberana e preservará instituições consideradas estratégicas para a população. Além disso, ele reafirmou que o governo continuará apresentando argumentos técnicos durante as negociações.
Audiência nos Estados Unidos ocorrerá em julho
O processo conduzido pelo USTR prevê o recebimento de manifestações públicas até 1º de julho. Em seguida, uma audiência pública ocorrerá no dia 6 de julho. Já a decisão sobre uma eventual resposta comercial está prevista para até 15 de julho.
Além disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou que pretende participar da audiência. O parlamentar solicitou autorização ao USTR para defender os exportadores brasileiros e pedir a retirada da sobretaxa.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribui a pressão norte-americana à atuação de Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos. Por outro lado, o senador afirma ser contrário tanto à tarifa quanto a qualquer medida que restrinja o funcionamento do Pix.
Governo prepara medidas para exportadores
Bruno Moretti afirmou que a equipe econômica já estuda alternativas caso os Estados Unidos confirmem a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o ministro, o governo poderá ampliar mecanismos de apoio às empresas exportadoras, principalmente por meio de linhas de crédito e programas específicos. Entre eles, ele citou o Brasil Soberano 2, iniciativa voltada ao fortalecimento das exportações.
Além disso, Moretti informou que o governo trabalha para diversificar os mercados compradores dos produtos brasileiros. Dessa forma, o objetivo é reduzir a dependência de determinados países e diminuir os impactos de eventuais barreiras comerciais.
Por fim, o ministro destacou que as medidas buscam proteger o setor produtivo e reduzir possíveis reflexos sobre a população brasileira. Segundo ele, o governo continuará negociando para evitar a aplicação da sobretaxa e minimizar seus efeitos econômicos.


















































