O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva de Deolane Bezerra e de outros cinco réus da Operação Vérnix. O Gaeco apresentou a manifestação na quinta-feira (20), durante a revisão periódica das prisões preventivas.
A legislação determina que a Justiça reavalie a necessidade da prisão preventiva a cada 90 dias. No entanto, essa revisão não significa que o preso será automaticamente libertado após esse período.
Segundo o MP-SP, os motivos que justificaram as prisões continuam presentes. Entre eles, o órgão cita a necessidade de garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.
Deolane está presa desde maio
A Justiça decretou a prisão preventiva de Deolane em maio, durante a Operação Vérnix. Desde então, a influenciadora permanece na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
A operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além de Deolane, o MP-SP pediu a manutenção da prisão preventiva de outros cinco réus. São eles Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola; Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior; Everton de Souza, conhecido como Player; Paloma Sanches Herbas Camacho; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
MP-SP aponta três núcleos na investigação
Na manifestação, o Gaeco divide o suposto esquema em três núcleos: decisório, operacional e financeiro.
Segundo a Promotoria, Marcola e Alejandro Camacho fariam parte do núcleo decisório. Já Everton de Souza e Paloma Sanches integrariam o núcleo operacional.
Por outro lado, o MP-SP aponta Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander como integrantes do núcleo financeiro.
De acordo com a acusação, os envolvidos teriam utilizado empresas de fachada e outras estruturas para ocultar e dissimular valores de origem supostamente ilícita. Os réus respondem por suspeitas de organização criminosa e lavagem de capitais.
MP aponta papel de Deolane no núcleo financeiro
O documento apresentado pelo Gaeco atribui a Deolane um papel de destaque no núcleo financeiro investigado.
Segundo o Ministério Público, a influenciadora teria utilizado contas pessoais e empresas ligadas a ela para movimentar e ocultar valores de origem suspeita. Além disso, a Promotoria afirma que parte dos recursos teria sido convertida em bens de elevado valor.
O MP-SP também cita um suposto plano para reorganizar empresas de Deolane e transferi-las para fundos em Dubai. Conforme a acusação, essa movimentação poderia facilitar a continuidade das atividades investigadas.
As afirmações, contudo, fazem parte da acusação apresentada pelo Ministério Público e ainda serão analisadas pela Justiça.
Investigação cita movimentações financeiras
A Operação Vérnix também analisou movimentações financeiras relacionadas a Deolane e empresas ligadas à influenciadora.
Segundo os investigadores, contas vinculadas a ela receberam aproximadamente R$ 1,067 milhão entre 2018 e 2021 por meio de depósitos fracionados. Além disso, duas empresas ligadas à influenciadora registraram movimentações de cerca de R$ 716 mil, conforme informações apresentadas na investigação.
Para o MP-SP, esses dados reforçam a suspeita de movimentação e ocultação de recursos.
Dois réus estão foragidos
O MP-SP também considera a situação de Paloma Sanches e Leonardo Alexsander para defender a continuidade das prisões.
Os dois estão foragidos, segundo a Promotoria. Por isso, o órgão argumenta que a prisão preventiva também ajuda a garantir a aplicação da lei penal.
Enquanto isso, Marcola e Alejandro Camacho estão presos na Penitenciária Federal de Brasília. Já Deolane permanece presa em Tupi Paulista.
Operação Vérnix investiga suposta lavagem de dinheiro
O Ministério Público deflagrou a Operação Vérnix em maio. A investigação tem como um dos focos uma transportadora de cargas localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista.
Segundo a investigação, a empresa teria servido como estrutura para movimentar recursos ligados à cúpula do PCC e fazer repasses a familiares de Marcola e a outras pessoas.
Além disso, a apuração identificou relações pessoais e comerciais entre Deolane e um homem apontado pelos investigadores como gestor de fachada da transportadora.
Justiça vai decidir sobre as prisões
Agora, a Justiça de São Paulo deverá analisar os argumentos apresentados pelo Gaeco antes de decidir se mantém ou modifica as prisões preventivas.
Portanto, o pedido do MP-SP não representa uma decisão definitiva sobre a permanência dos réus na prisão.
A defesa dos envolvidos também pode apresentar argumentos contra a manutenção das medidas. No caso dos irmãos Camacho, por exemplo, os advogados já questionaram a existência de fatos novos que justifiquem a continuidade das prisões.
Além disso, a análise judicial deverá considerar os requisitos previstos na legislação para a manutenção da prisão preventiva.




















































