A inflação e a elevação dos custos operacionais estão apertando as margens de lucro das pequenas e médias empresas brasileiras. Para muitos empreendedores, o desafio deixou de ser apenas vender mais e passou a ser conseguir preservar o resultado financeiro diante da alta de insumos, despesas com pessoal, tributos e outros custos da operação.
O diagnóstico também aparece no dia a dia dos escritórios de contabilidade. Segundo o contador Ricardo Brandão, da AB Assessoria, que atende principalmente empreendedores de pequenas e médias empresas, muitos empresários estão encontrando dificuldade para repassar integralmente os aumentos aos consumidores.
“As coisas vêm subindo muito, a inflação, enfim. E não tem como repassar isso para o cliente. A margem de lucro está cada vez menor. Os insumos aumentam, a folha de pagamento aumenta, os impostos aumentam e a margem de lucro para o empresário fica menor. Ele está vendo a gordura líquida dele cada vez menor. O momento é bem delicado”, afirma Brandão.
Os dados oficiais mostram que a pressão sobre os preços continua sendo relevante, mesmo com a desaceleração recente do índice geral. Segundo o IBGE, o IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, mas acumula alta de 4,22% em 12 meses e 3,11% no ano. O IPCA é o índice oficial de inflação utilizado pelo governo federal como referência para as metas de inflação.
Rentabilidade
Para as empresas, entretanto, o impacto não depende apenas do índice geral de preços. Custos específicos podem subir em ritmo diferente da inflação média, afetando diretamente a formação de preços e a rentabilidade de cada negócio.
Uma pesquisa da Serasa Experian com pequenas e médias empresas reforça essa percepção. O levantamento divulgado em abril apontou que 47% das PMEs pesquisadas classificaram a pressão de custos como alta ou muito alta nos 12 meses anteriores. Quase metade, 49%, relatou redução da lucratividade. Entre os principais fatores citados estavam insumos e matérias-primas, folha de pagamento, tributos e aluguel.
O próprio Banco Central identificou a dificuldade de preservação das margens. No Relatório de Política Monetária de junho, a pesquisa Firmus mostrou queda acentuada nas expectativas das empresas para suas margens nos 12 meses seguintes. O índice caiu de 111 para 98 pontos, primeiro resultado abaixo do nível considerado neutro na série.
Em diagnóstico recente, o Banco Central registrou que as empresas esperavam elevar seus preços, mas que esse reajuste não seria suficiente para compensar a aceleração dos custos. O resultado é justamente a perspectiva de compressão das margens.
Para o pequeno e médio empresário, a equação fica particularmente difícil. “Aumentar preços pode significar perder clientes ou volume de vendas”, avalia Ricardo Brandão. Não aumentar, por outro lado, diz ele, significa absorver parte do aumento dos custos. “Nesse cenário, acompanhar a formação dos preços e conhecer a margem real de cada produto ou serviço passa a ser uma questão central para a sustentabilidade do negócio”.

























































