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Economia

A receita da persistência: como uma empresa potiguar conquistou o Nordeste com pimentas e molhos produzidos por lactofermentação

Júnior Queiroz, CEO da Zetta

Por Fábio Pacheco

Quando a pandemia interrompeu planos e fechou portas para milhares de empreendedores em 2020, o potiguar Júnior Queiroz precisou reinventar o próprio futuro. Depois de mais de 25 anos atuando no setor de bares e restaurantes em São Paulo, ele retornou ao Rio Grande do Norte decidido a abrir um restaurante em Natal. O projeto, porém, não saiu do papel diante das incertezas provocadas pela crise sanitária.

Foi justamente naquele momento que surgiu uma oportunidade capaz de mudar sua trajetória profissional. Em vez de insistir em um modelo de negócio inviabilizado pelas circunstâncias, Júnior apostou em um segmento ainda pouco conhecido no mercado regional: os alimentos lactofermentados.

A ideia deu origem à Zetta, empresa potiguar especializada em molhos artesanais produzidos por meio da lactofermentação, um método ancestral de conservação de alimentos que utiliza bactérias benéficas para preservar ingredientes de forma natural. O nome da marca carrega uma homenagem pessoal. Zetta era o nome de sua mãe, inspiração permanente para o empreendedor natural de Martins, município localizado no Alto Oeste potiguar.

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Hoje, seis anos após o início da operação, a empresa produz cerca de 60 mil garrafas por mês, abastece grandes redes supermercadistas do Rio Grande do Norte e da Paraíba, gera empregos, fortalece a agricultura familiar e já iniciou os primeiros passos rumo ao mercado internacional.

Empresa possui o Selo Feito Potiguar, programa que promove a valorização do produto local

Um processo que exige tempo e conhecimento

Diferentemente dos molhos convencionais, os produtos da Zetta passam por um processo de produção que pode levar até seis meses antes de chegarem ao consumidor.

As pimentas são armazenadas em recipientes fechados contendo salmoura. Em um ambiente sem oxigênio, os lactobacilos — micro-organismos naturalmente presentes nos alimentos — passam a dominar o meio, criando uma fermentação controlada capaz de conservar os ingredientes e desenvolver sabores mais complexos.

Além da conservação natural, a técnica mantém nutrientes importantes e produz compostos associados ao equilíbrio intestinal. Entre os benefícios relatados pelos consumidores estão melhor digestão, maior tolerância gástrica e preservação das características nutricionais dos ingredientes.

O método, utilizado por civilizações antigas muito antes da existência da refrigeração moderna, tornou-se o principal diferencial competitivo da marca potiguar.

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Das primeiras mil garrafas ao crescimento regional

A produção começou de forma modesta. Inicialmente, a empresa fabricava cerca de mil garrafas por mês, comercializadas principalmente em bares e restaurantes.

Com o passar do tempo, os produtos chegaram a empórios, lojas especializadas em carnes e estabelecimentos gastronômicos. O crescimento foi gradual e exigiu dedicação intensa do fundador, que percorreu milhares de quilômetros pelos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará participando de feiras, eventos e rodadas de negócios.

O esforço permitiu ampliar a rede de clientes e consolidar a presença da marca no Nordeste. Hoje, os produtos da Zetta estão presentes em algumas das maiores redes supermercadistas do Rio Grande do Norte e da Paraíba, resultado de um trabalho contínuo de prospecção comercial e fortalecimento da marca.

Com apoio oferecido pelo Sebrae, produção saltou de mil garrafas para 60 mil por mês

 

O papel do Sebrae na construção do negócio

Desde os primeiros passos, a história da Zetta esteve ligada ao apoio oferecido pelo Sebrae. A empresa recebeu orientação em diversas etapas da estruturação do negócio, incluindo identidade visual, planejamento financeiro, consultorias técnicas, acompanhamento nutricional e adequação às exigências sanitárias.

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Além disso, a instituição aproximou a marca de compradores, distribuidoras e redes varejistas, facilitando a participação em feiras nacionais e internacionais.

O suporte também contribuiu para a conquista do Selo Feito Potiguar, iniciativa voltada à valorização de empresas locais e ao fortalecimento da economia regional.

Segundo Júnior Queiroz, o acesso a capacitações e conexões comerciais foi determinante para acelerar o crescimento da empresa e ampliar sua visibilidade no mercado.

Agricultura familiar como base da produção

O compromisso com o desenvolvimento regional está presente desde a origem da matéria-prima. Os quatro primeiros molhos lançados pela empresa — Verde, Vermelha, Amarela e Carolina Reaper — foram produzidos utilizando pimentas cultivadas por agricultores familiares de Vera Cruz, município localizado na região Agreste do Rio Grande do Norte.

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A parceria permanece como parte da estratégia da empresa. Além de garantir rastreabilidade e qualidade da produção, a iniciativa movimenta a economia local e cria oportunidades para pequenos produtores rurais.

“Além de fomentar nossa economia, isso faz parte do movimento do Selo Potiguar”, destaca o empresário.

Linha de farofas premium para churrasco vem conquistando o mercado

Diversificação e novos mercados

Ao longo dos anos, a Zetta ampliou significativamente seu portfólio. A linha original de molhos de pimenta deu lugar a uma família de produtos que inclui seis sabores de molhos fermentados, geleias com pimenta, molhos especiais para hamburguerias e churrascos, além de opções como barbecue com abacaxi, alho defumado, mostarda, chimichurri, cebola caramelizada e american sauce.

Recentemente, a empresa também ingressou no segmento de farofas premium, com versões de bacon, banana e tradicional.

Entre os produtos mais procurados estão o molho produzido com a pimenta Carolina Reaper, considerada uma das mais fortes do mundo, e os molhos barbecue com abacaxi e alho defumado.

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De Martins para o mundo

O próximo passo da empresa é ampliar ainda mais sua presença fora do país. Participando de programas da ApexBrasil, a Zetta passou a integrar rodadas de negócios internacionais e ações de promoção comercial voltadas à exportação.

Os resultados já começaram a aparecer. Produtos da marca foram enviados para Dubai, abrindo caminho para novas oportunidades em mercados internacionais. A meta da empresa é encerrar o ano com mais de 20 novos produtos lançados e ampliar sua participação no comércio exterior.

Para uma empresa que nasceu em meio às incertezas da pandemia, o percurso revela mais do que crescimento empresarial. A trajetória da Zetta demonstra como inovação, conhecimento técnico, apoio institucional e valorização da produção local podem transformar uma ideia em um negócio capaz de gerar renda, empregos e desenvolvimento a partir do interior do Rio Grande do Norte.

 

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