O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta terça-feira (15) a decisão de André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Durante a sessão extraordinária da Corte, Gilmar classificou a medida como um “vexame” e afirmou que ela demonstra “falta de noção” sobre o funcionamento da Polícia Federal.
Segundo o ministro, a PF é uma instituição armada e submetida a uma estrutura hierárquica. Por isso, ele considerou inadequado retirar seu diretor-geral do cargo por meio de uma decisão judicial.
Gilmar critica decisão de Mendonça
Gilmar Mendes afirmou que uma pessoa com conhecimento sobre a estrutura da Polícia Federal não adotaria uma medida desse tipo contra o chefe da instituição.
O ministro comparou o afastamento de Andrei Rodrigues à retirada do comando de outras instituições estratégicas. Além disso, afirmou que a decisão poderia desestruturar a PF.
“É como afastar o presidente da Nasa ou tirar o comandante do Exército”, disse Gilmar durante a sessão.
Na avaliação do decano, submeter a Polícia Federal a uma situação como essa representa um “vexame”. Ele também classificou a medida como de uma gravidade que não havia presenciado anteriormente.
Mendonça afastou diretor-geral da PF
André Mendonça determinou, em 8 de setembro, o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada.
A decisão ocorreu após a divulgação de relatórios internos de inteligência da corporação. Mendonça apontou possíveis irregularidades na produção dos documentos e levantou suspeitas sobre o monitoramento de ministros do STF.
A medida passou a ser analisada pela Segunda Turma do Supremo. O colegiado chegou a formar maioria para manter a decisão, mas Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu o julgamento.
Fux rebate Gilmar durante sessão
A manifestação de Gilmar provocou uma reação do ministro Luiz Fux. Ele defendeu a atuação da Segunda Turma e afirmou que os ministros identificaram possíveis desvios de finalidade na atuação da Polícia Federal.
Fux também mencionou a existência de uma suposta “PF paralela” e afirmou que a Corte não poderia aceitar uma estrutura da corporação atuando contra o Supremo.
O debate ocorreu durante a sessão que analisa a validade de elementos obtidos pela Polícia Federal em investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A sessão foi marcada por outros confrontos entre integrantes da Corte. Além do embate sobre a Polícia Federal, Alexandre de Moraes e André Mendonça trocaram acusações durante o julgamento.

























































