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Senado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penal

Plenário do Senado Federal durante votação da PEC da Segurança Pública, que prevê medidas de combate ao crime organizado.
Senado Federal aprova PEC da Segurança Pública em dois turnos, sem incluir a redução da maioridade penal.

O Senado Federal aprovou, na noite desta terça-feira (3), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto prevê medidas para fortalecer o combate ao crime organizado, ampliar a integração entre as forças de segurança e estabelecer novas regras de financiamento para o setor. A proposta foi aprovada sem incluir a redução da maioridade penal.

A votação foi unânime entre os senadores participantes. No primeiro turno, foram 73 votos favoráveis e nenhum contrário. No segundo, o placar foi de 75 votos favoráveis e nenhum contrário. Para aprovação de uma emenda constitucional, eram necessários pelo menos 49 votos.

De autoria do Poder Executivo, a PEC estabelece medidas mais rigorosas contra chefes de facções criminosas e milícias, além de propor um novo modelo de cooperação entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade.

A proposta é uma das prioridades do governo federal na área da segurança pública. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC.

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Como o texto aprovado pelo Senado manteve o mesmo conteúdo já aprovado pela Câmara dos Deputados, a proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Redução da maioridade penal fica fora da PEC

Antes da votação, os senadores discutiram emendas que propunham reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e, em determinadas situações, para 14 anos.

O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), decidiu não incorporar as propostas ao texto final. Ele recomendou que as emendas fossem transformadas em propostas autônomas, permitindo que o tema seja debatido e votado separadamente.

A decisão foi aprovada por 38 votos a 36. Caso as emendas fossem incorporadas à PEC, o texto precisaria retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.

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“As matérias tratadas nas emendas são relevantes e merecem ser debatidas por essa Casa. Não se confundem, contudo, com o objetivo central da PEC 18/2025, voltado ao combate ao crime organizado e à reestruturação da governança federativa da segurança pública”, argumentou o relator.

Rogério Carvalho também destacou que existem divergências jurídicas e políticas sobre a possibilidade de alterar a maioridade penal prevista na Constituição Federal.

Uma corrente jurídica considera que a idade de responsabilização criminal está protegida pelas chamadas cláusulas pétreas da Constituição. Outra entende que o limite pode ser modificado por meio de emenda constitucional.

Rogério Marinho propôs reduzir maioridade penal para até 14 anos

Entre as propostas discutidas estava a emenda 84, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).

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O parlamentar potiguar defendia a redução da maioridade penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.

Outra proposta, a emenda 87, apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), mantinha a maioridade penal em 18 anos como regra geral, mas previa a redução para 16 anos em casos de crimes hediondos.

As duas propostas ficaram fora do texto aprovado e poderão ser analisadas separadamente pelo Congresso Nacional.

Outras quatro emendas também não foram acolhidas pelo relator. Entre os assuntos estavam o acesso das Forças Armadas a recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e a inclusão dos agentes de trânsito entre os órgãos de segurança pública.

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O que muda com a PEC da Segurança Pública

Uma das principais mudanças previstas é a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal.

A medida altera o artigo 144 da Constituição e estabelece que a segurança pública deve funcionar em regime de cooperação entre União, estados e municípios.

O objetivo é ampliar a integração entre as instituições responsáveis pela prevenção e repressão de crimes, pela investigação criminal e pela execução penal.

A proposta também prevê atuação integrada e descentralizada dos órgãos de segurança pública, buscando melhorar a coordenação das ações em todo o país.

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PEC prevê regras mais rígidas contra facções e milícias

A PEC da Segurança Pública estabelece medidas mais rigorosas para chefes de organizações criminosas e milícias.

Entre as mudanças previstas estão o cumprimento de penas em unidades de segurança máxima e a possibilidade de restrição ou impedimento da progressão de regime para lideranças criminosas.

O texto também prevê medidas patrimoniais contra bens e recursos provenientes de atividades criminosas, responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas em crimes e mecanismos de proteção para denunciantes e seus familiares.

Proposta permite criação de polícias municipais

Outra mudança prevista na PEC é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil.

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Essas instituições poderão exercer atividades de policiamento ostensivo e comunitário nos municípios onde forem criadas, ficando submetidas ao controle externo do Ministério Público.

A proposta também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e estabelece novas regras para a organização e a cooperação entre os órgãos de segurança pública.

PEC amplia recursos para segurança pública

O financiamento da segurança pública também passa por mudanças com a aprovação da proposta.

Segundo o texto, 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) deverão ser repassados pela União para estados e municípios, observadas as regras e exceções previstas na PEC.

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A medida busca garantir maior previsibilidade no financiamento das políticas de segurança pública.

A proposta determina ainda que 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado à exploração do pré-sal, sejam destinados aos fundos da segurança pública.

Segundo o relator, as mudanças fortalecem os mecanismos de financiamento e garantem maior continuidade às ações policiais e às políticas de execução penal.

Sistema de Políticas Penais também está previsto

A PEC prevê ainda a criação do Sistema de Políticas Penais, voltado à organização e ao funcionamento do sistema prisional brasileiro.

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O texto autoriza a atuação conjunta de União, estados e municípios na elaboração de normas relacionadas à segurança pública, organização das polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.

Com a aprovação nos dois turnos do Senado e a manutenção do texto anteriormente aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC da Segurança Pública segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Fonte: Agência Brasil | Texto adaptado pela redação do Ponta Negra News

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