A empresa de publicidade Cálix Propaganda, ligada ao ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, acumulou R$ 99,2 milhões em faturas empenhadas pelo governo federal entre abril de 2022 e maio de 2026.
Os dados constam no Portal de Compras do Governo Federal e envolvem contratos firmados durante os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, é proprietário da agência e atuou como marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Além disso, ele é ex-policial e amigo pessoal do senador.
Contratos começaram no governo Bolsonaro
A Cálix Propaganda iniciou contratos com a administração federal em 2021. O primeiro acordo ocorreu com o então Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado na época por Rogério Marinho.
O contrato previa valor anual de até R$ 55 milhões para prestação de serviços de publicidade institucional.
Atualmente, a pasta funciona como Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Mesmo após a mudança de governo, o contrato continuou em vigor e passou por renovações até abril de 2026.
Além disso, Rogério Marinho atualmente coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e lidera a oposição no Senado.
Segundo contrato ocorreu na Infraestrutura
O segundo contrato firmado pela agência aconteceu em 2022, junto ao então Ministério da Infraestrutura.
Naquele período, a pasta era comandada por Tarcísio de Freitas. Segundo os registros oficiais, a Cálix foi a única participante da licitação.
O contrato prevê custo anual de até R$ 14,97 milhões. Apesar disso, a assinatura definitiva ocorreu apenas em abril de 2023 por causa dos trâmites administrativos do período eleitoral.
Posteriormente, o acordo passou por renovações e agora possui vigência até 2027.
Governo ainda possui valores pendentes
Os dois contratos somaram R$ 91,8 milhões em faturas empenhadas no período analisado. No entanto, parte dos valores ainda não foi quitada pelo governo federal.
Segundo o Portal de Compras, a União já pagou cerca de R$ 39,7 milhões à empresa desde o início dos contratos.
Desse total, R$ 22,6 milhões foram pagos no mesmo exercício fiscal. Além disso, outros R$ 17 milhões foram quitados posteriormente por meio dos chamados “restos a pagar”.
Atualmente, o governo ainda possui R$ 32,9 milhões em notas previstas para pagamento neste ano. Outros R$ 26,7 milhões seguem pendentes de anos anteriores.
Atrasos geraram juros e multas
Parte das faturas acumulou encargos financeiros devido ao atraso nos pagamentos. Dessa forma, notas incorporadas aos “restos a pagar” já somam acréscimo de aproximadamente R$ 3,9 milhões em juros e multas.
Os valores representam despesas adicionais em relação ao montante originalmente empenhado nos contratos da agência de publicidade.






















































