Uma mulher de 22 anos acabou presa em Ielmo Marinho, na Grande Natal, durante uma operação nacional que investiga uma organização criminosa transnacional suspeita de aplicar golpes de falso romance e praticar sextorsão.
A ação ocorreu nesta quinta-feira (21). A Polícia Civil do Paraná (PCPR) coordenou a operação. Além disso, participaram o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (CIBERLAB/MJSP) e as polícias civis do Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Goiás, Maranhão e Paraíba.
Ao todo, os policiais cumpriram cinco mandados de prisão e cinco de busca domiciliar. As diligências ocorreram em Ielmo Marinho (RN), João Pessoa (PB), São Luís (MA), Jandaia (GO) e Santa Maria de Jetibá (ES).
Durante a ofensiva, as equipes prenderam cinco pessoas e apreenderam celulares que passarão por perícia.
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Investigação aponta atuação na lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Civil, a mulher presa no Rio Grande do Norte responde por suspeitas de extorsão, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
As investigações apontam que ela atuaria como “conteira”. Ou seja, movimentaria e ocultaria valores obtidos de forma ilícita.
Além disso, a polícia identificou que o grupo teria origem na Nigéria e atuação em vários países.
De acordo com a PCPR, o núcleo estrangeiro fazia o primeiro contato com as vítimas por meio de número telefônico com código internacional da Nigéria (+234). Depois disso, iniciava a manipulação emocional e, posteriormente, exigia dinheiro.
Enquanto isso, o núcleo brasileiro cuidaria da lavagem financeira. Para isso, utilizaria contas bancárias destinadas ao recebimento, ocultação e conversão dos valores em criptoativos.
Golpe envolvia relacionamento virtual e ameaças
As investigações indicam que os crimes começaram em 2024.
Em um dos casos investigados, uma moradora de Palmas, no sudoeste do Paraná, iniciou conversa em redes sociais e aplicativo de mensagens com um perfil falso chamado “David Green”.
Segundo a polícia, o suspeito usava fotos de terceiros já associadas a golpes internacionais. Além disso, dizia ser médico oncologista em missão de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na Síria.
De acordo com o delegado Kelvin Bressan, do Núcleo de Investigações Qualificadas da Polícia Civil do Paraná, o investigado prometeu casamento e conquistou a confiança da vítima durante o relacionamento virtual.
Com o avanço da relação, a vítima compartilhou fotos e vídeos íntimos.
Na sequência, começaram os pedidos de dinheiro. O suspeito alegava necessidade de recursos para passagens aéreas, detenções e supostas multas ligadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil.
Entretanto, quando a vítima passou a desconfiar do golpe e relatou dificuldades financeiras, o tom mudou.
Conforme a investigação, o suspeito ameaçou divulgar o material íntimo nas redes sociais e exigiu R$ 20 mil.
O prejuízo estimado nesse caso supera R$ 60 mil.
Polícia apura movimentação de R$ 4 milhões
A Polícia Civil do Paraná investiga o grupo por extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
Além disso, as apurações identificaram movimentação próxima de R$ 4 milhões em apenas dois meses.
Segundo os investigadores, algumas contas usadas pelo grupo aparecem em boletins de ocorrência registrados em diferentes estados.
Da mesma forma, a polícia estima que pelo menos 20 vítimas tenham sofrido prejuízos em várias regiões do país.
Batizada de “Love Hurts”, a operação continua em andamento. Agora, os investigadores buscam identificar outros integrantes do grupo, ampliar o mapeamento das fraudes e rastrear a origem dos recursos movimentados.
Após a prisão, a suspeita detida no Rio Grande do Norte seguiu para o sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.






















































