A Justiça de São Paulo decidiu que 12 policiais militares acusados pelas mortes de nove jovens em um baile funk de Paraisópolis irão a júri popular. A decisão saiu na segunda-feira (17), após a análise do processo pela 1ª Vara do Júri do Foro Central Criminal.
Além disso, os policiais respondem por nove acusações de homicídio qualificado e por lesão corporal grave. A acusação também aponta circunstâncias que podem agravar os crimes, como o uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
No entanto, os 12 réus continuarão em liberdade enquanto aguardam o julgamento. Até o momento, a Justiça ainda não definiu a data do júri popular.
Mortes ocorreram em baile funk
O caso aconteceu na madrugada de 1º de dezembro de 2019, durante o baile da DZ7, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo.
Na ocasião, uma operação da Polícia Militar cercou uma multidão que participava do evento. Segundo a acusação do Ministério Público, os agentes encurralaram parte do público em uma viela estreita.
Como resultado, os jovens ficaram comprimidos em um espaço de circulação reduzida. Asfixia e compressão contribuíram para as nove mortes registradas durante a ocorrência.
As vítimas tinham entre 14 e 23 anos. O caso ficou conhecido como massacre de Paraisópolis e provocou cobranças por responsabilização dos agentes envolvidos.
Acusação aponta cerco policial
Segundo o Ministério Público, entre 5 mil e 8 mil pessoas estavam no baile naquela noite. Durante a ação, os policiais teriam utilizado cassetetes, gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Em seguida, parte dos participantes correu para uma viela. O espaço tinha uma entrada de 2,78 metros e uma saída de apenas 1,71 metro, segundo informações reunidas na investigação.
Além disso, laudos de necropsia indicaram que os pulmões das vítimas apresentavam comprometimento dos movimentos necessários para a respiração. Dessa forma, a acusação relaciona a compressão no local às mortes.
Defesa contesta versão do Ministério Público
Por outro lado, os policiais sustentam que a operação começou durante uma perseguição a dois homens em uma motocicleta. Segundo a versão apresentada pelos agentes, os suspeitos teriam disparado contra viaturas e fugido em direção ao baile.
A Polícia Militar também afirmou, na época, que os jovens morreram após serem pisoteados durante a correria. Entretanto, testemunhas ouvidas durante o processo contestaram essa versão.
Agora, os jurados deverão analisar as circunstâncias apresentadas pela acusação e pela defesa. Portanto, a decisão que leva os policiais a júri não representa uma condenação.
Doze policiais respondem em liberdade
Entre os réus está a tenente Aline Ferreira Inácio, que comandava a operação policial naquela noite. Além dela, outros 11 agentes respondem às acusações relacionadas às nove mortes.
Um dos policiais também acabou afastado das funções após aparecer em um vídeo dizendo que comemorava mortes de suspeitos com cerveja e charutos.
Apesar das acusações, os 12 policiais aguardam o julgamento em liberdade. Além disso, ainda não existe uma data definida para o Tribunal do Júri.
Júri ainda não tem data
A decisão da Justiça representa o avanço do processo para a próxima etapa. Agora, o Tribunal do Júri deverá analisar as acusações contra os policiais.
No entanto, antes do julgamento, a defesa ainda pode apresentar recursos contra a decisão. Por isso, o processo poderá passar por novas etapas até a definição da data do júri.
Por fim, caberá aos jurados decidir se os acusados devem ser responsabilizados criminalmente pelas nove mortes ocorridas durante o baile funk de Paraisópolis, em 2019.




















































