Ainda com 70% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) e aliados deixaram de acompanhar a apuração e se reuniram em uma sala na casa no Lago Sul, em Brasília, onde estavam, para analisar quais seriam as estratégias da reação, mesmo com o clima de desânimo e de frustração.
Na avaliação do entorno do Flávio, Nunes Marques e André Mendonça erraram na condução do pleito no Tribunal Superior Eleitoral. “Nunes Marques deixou ser atropelado pela décima vez pelo STF!”, afirmou um ex-ministro do governo Bolsonaro presente. No entendimento dos aliados, as críticas deveriam se voltar a eles já a partir de amanhã.
Afirmar que houve fraude na apuração não foi uma ideia unânime entre os presentes. Rogério Marinho foi contra, sobretudo, porque não há elementos de prova. Mas a informação de que fiscais do Partido Liberal foram retirados da sala-cofre foi considerada grave. No entanto, em nota, o TSE desmentiu a informação divulgada por Flávio.
Entre alguns aliados, há um receio de que falar em fraude sem prova enfraqueça a direita na eleição da mesa da Câmara e do Senado, no ano que vem.
Aliados também relataram que esperam uma reação do governo de Donald Trump em breve, como o não reconhecimento da eleição no Brasil, o que ainda não foi confirmado por membros da Casa Branca. A decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin e o fato de ele ter sido ex-advogado de Lula serão argumentos usados em Washington. A possibilidade, no entanto, de o governo Trump ficar em silêncio sobre o Brasil também não foi descartada.
A postura de Flávio, ao não reconhecer o resultado das eleições, foi elogiada pelos aliados, diferentemente do que foi visto em 2022 por Jair Bolsonaro, que não falou com a imprensa e que decidiu ir aos Estados Unidos sem sair em defesa da bancada. Deputados e senadores viram na postura de Flávio a manutenção da liderança, o que deixa viva a parcela da sociedade que o apoia. Mas ao mesmo tempo esses aliados reconhecem que haverá uma caça às bruxas a políticos de direita, sobretudo a Flávio Bolsonaro, e que o cenário será mais difícil para a abertura de impeachment de ministros do STF.
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