O cartão de crédito é hoje o principal motivo de inadimplência entre os brasileiros, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo Serviço de Proteção ao Crédito em parceria com a Offerwise Pesquisas. De acordo com a pesquisa “Cenário da Inadimplência”, o país vive o pior cenário de inadimplência da história recente. O cartão de crédito aparece na liderança das dívidas em atraso, citado por 42% dos consumidores negativados — aumento de 18 pontos percentuais em relação a 2025.
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Na sequência, aparecem os empréstimos bancários e financiamentos em financeiras, com 26%, além dos crediários, que somam 23%. O cheque especial representa 16% das pendências financeiras.
Classes C, D e E concentram maioria das dívidas
O levantamento mostra que 72% dos inadimplentes pertencem às classes C, D e E. Já as classes A e B representam 28% dos consumidores negativados.
Metade dos entrevistados afirmou receber até três salários mínimos. Além disso, 82% dos inadimplentes estão empregados, sendo 48% com carteira assinada, 23% autônomos e 11% empreendedores.
Outro dado que chamou atenção foi o crescimento da chamada “cura e recaída” financeira. Segundo a pesquisa, 36% dos entrevistados afirmaram estar vivendo a segunda experiência de inadimplência, enquanto 20% disseram que a situação já é recorrente.
Compras por impulso e redes sociais agravam endividamento
A pesquisa aponta ainda que o consumo emocional e a pressão social têm forte influência sobre o endividamento.
Segundo o levantamento:
- 50% afirmam não resistir ao desejo de compra imediato;
- 47% compram para aliviar emoções;
- 41% já fizeram compras impulsivas influenciadas por redes sociais.
Além disso, 51% disseram sentir pressão para consumir e acompanhar padrões de familiares e amigos.
Supermercado lidera gastos que resultaram em dívidas
Entre os itens que mais levaram consumidores à inadimplência, o supermercado aparece em primeiro lugar, citado por 45% dos entrevistados. Em seguida estão:
- roupas, calçados e acessórios (42%);
- remédios (31%);
- eletrodomésticos (27%);
- eletrônicos (25%);
- móveis para casa (22%).
O valor médio das dívidas chegou a R$ 2.378.
Empréstimo de nome preocupa especialistas
O chamado “empréstimo de nome” foi apontado como uma das principais causas da inadimplência prolongada. Segundo o estudo, 25% dos consumidores negativados há mais de três meses afirmaram ter emprestado o nome para terceiros, número 18 pontos percentuais maior que o registrado em 2025.
A pesquisa também revelou que:
- 59% fizeram empréstimos sem considerar as taxas de juros;
- 37% admitiram aceitar acordos sabendo que não conseguiriam pagar;
- 19% disseram já ter caído em golpes ligados à promessa de “limpar o nome”.
Consumidores tentam cortar gastos para quitar dívidas
Para tentar sair da inadimplência, os entrevistados disseram apostar em cortes no orçamento e renda extra.
As principais medidas citadas foram:
- reduzir gastos com roupas e calçados (42%);
- diminuir delivery e alimentação fora de casa (39%);
- cortar despesas com lazer (38%);
- buscar “bicos” ou vendas extras (30%).
Apesar das dificuldades, 84% afirmaram ter um prazo definido para quitar as dívidas.





















































