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PCC e CV: decisão abre brecha para violação da soberania

Irã apresentou nova proposta de paz aos Estados Unidos | REUTERS/Jonathan Ernst

A decisão dos Estados Unidos de anunciar a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas abre brecha para eventuais ações que violem a soberania brasileira, embora uma intervenção direta no Brasil seja considerada improvável. A análise é da professora doutora em relações internacionais Ana Carolina Marson.

Para Ana Carolina, a decisão do Departamento de Estado dos EUA não deve provocar mudanças imediatas na prática, mas representa um movimento “bastante perigoso” do ponto de vista político e diplomático. Ela lembrou que o governo de Donald Trump adotou estratégia semelhante em relação ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a organizações ligadas ao narcotráfico venezuelano.

“Isso significa que ele vai invadir o Brasil? Acho muito difícil. Como eu sempre digo, o Brasil não é a Venezuela. Nossa reputação no cenário internacional é outra. Lula não é Maduro, então não dá para fazer a mesma associação que foi feita entre Maduro e o Cartel de los Soles. Não é possível estabelecer um paralelo entre Lula, PCC e Comando Vermelho”, afirma Ana Carolina.

Eduardo Bolsonaro comemorou a decisão

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde março do ano passado, afirmou que esta quinta-feira (28) representava “um grande dia para todos aqueles que sofrem na mão desses bandidos” e disse que PCC e CV “vão poder ser combatidos igual o Bin Laden [terrorista fundador da Al-Qaeda] foi”.

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Eduardo ressaltou ainda que a medida teria efeitos práticos. Segundo ele, a classificação permitiria à Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) ampliar as ações de repressão às facções criminosas, além de abrir espaço para uma atuação direta do Exército norte-americano no Brasil e em rotas do tráfico de cocaína que passam por Colômbia, Bolívia, Peru e Paraguai.

Ana Carolina classificou a fala de Eduardo Bolsonaro como “bizarra” e afirmou que a decisão dos EUA não legitima eventuais ações do governo norte-americano em território brasileiro. Ela lembrou que até mesmo a atuação dos EUA na Venezuela foi alvo de forte contestação internacional e gerou desconforto diplomático por ser considerada ilegal por diferentes atores da comunidade internacional.

SBT News

 

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